"É difícil chegar ao topo do Roraima?" A resposta curta: é exigente, mas acessível a quem tem bom condicionamento físico e nenhuma experiência técnica prévia é obrigatória. A dificuldade real está na combinação de dias consecutivos de caminhada, clima tropical variável e um trecho técnico de escaladinhas na subida ao platô. Este artigo detalha os três fatores — válidos tanto para a expedição de 12 dias quanto para a versão de 10 dias.
O clima da Gran Sabana e do platô
A região tem clima tropical, com duas estações bem definidas:
Estação seca (dezembro a abril)
A janela mais estável para o trekking — por isso as saídas de 10 dias da Vara Mato acontecem em Réveillon, Carnaval e Páscoa. Menos chuva na savana, embora o platô continue sujeito a névoa e vento a qualquer momento.
Estação chuvosa (maio a novembro)
Mais chuva na savana e maior volume nos riachos que a trilha atravessa. A saída de 12 dias, em novembro, está no início dessa transição — ainda relativamente favorável, mas com maior chance de precipitação que em dezembro-abril.
O contraste térmico
Na savana, o calor é intenso durante o dia (facilmente acima de 25–30 °C). No platô, a 2.700–2.810 m, as temperaturas caem — especialmente à noite — e o vento constante, somado à névoa frequente, cria uma sensação térmica bem mais fria do que a altitude sozinha sugeriria. É esse contraste, mais do que o frio absoluto, que exige preparo.
O terreno: da savana ao platô
Savana da Gran Sabana
Os primeiros dias de trekking cruzam terreno aberto de savana tropical — caminhada relativamente direta, mas com sol forte e travessias de riachos ao longo do caminho.
O paredão: subida técnica
O trecho de acesso ao platô é o mais desafiador fisicamente: escaladinhas ao longo da parede rochosa, passando pelo Paso de Lágrimas (uma cachoeira que nasce no topo) até a "La Rampa". Não envolve cordas ou técnica de escalada formal, mas exige equilíbrio, atenção e pernas preparadas.
O platô: rocha, labirintos e formações
No topo, o terreno muda completamente: formações rochosas esculpidas por milhões de anos de erosão, "labirintos" de pedra, poços naturais (os Jacuzzis) e vegetação rasteira endêmica. A caminhada no platô é mais lenta, entre formações, com atenção redobrada em dias de neblina — quando a visibilidade cai rapidamente. Mais sobre esse ecossistema único no artigo de fauna, flora e história do Roraima.
Exigência física: em que nível está a régua
Na escala da Vara Mato, o Monte Roraima recebe dificuldade moderada a difícil (nível 3 de 4). A exigência vem da soma de dias consecutivos de trekking (7 a 9, dependendo da versão), calor intenso na savana e o trecho técnico de subida ao platô — não de uma dificuldade técnica isolada.
Perfil recomendado: condicionamento físico para caminhar 5–7 horas por dia, tolerância a calor e sol intensos, e disposição para um dia de esforço mais técnico na subida. Experiência prévia em trekking de múltiplos dias ajuda, mas não é pré-requisito rígido como em travessias patagônicas.
Como se preparar
Condicionamento cardiovascular
3 sessões semanais de caminhada, corrida leve ou bicicleta, priorizando resistência para dias consecutivos de esforço — mais importante aqui do que treino de força pesada.
Treino de calor
Diferente de expedições patagônicas, o Roraima pede adaptação ao calor: treine ao ar livre, em horários de sol, e pratique a hidratação constante que a savana vai exigir.
Simulação de terreno irregular
Caminhadas em trilhas com pedras e desnível ajudam a preparar o equilíbrio necessário para o trecho de acesso ao platô — o momento mais técnico da expedição.
Ensaio com mochila
Como a expedição já inclui barraca e alimentação principal, sua mochila pessoal é relativamente leve — mas vale caminhar algumas vezes com o peso real antes da viagem, incluindo o equipamento completo.
Segurança: o que a operação garante
- Rastreador satelital com SOS — comunicação de emergência mesmo nas áreas mais remotas do platô;
- Rádios comunicadores entre o grupo e a equipe de apoio;
- Kit de primeiros socorros presente em todos os dias de trekking;
- Guia líder Vara Mato + equipe indígena de Paraitepui, com profundo conhecimento do terreno e das condições locais;
- Decisões baseadas em segurança — o roteiro pode ser ajustado conforme as condições climáticas do platô.
Preparo físico e clareza sobre o terreno fazem toda a diferença. Escolha entre a expedição de 12 ou 10 dias e chegue ao Mundo Perdido com confiança.
Falar sobre as expedições ao Monte RoraimaPerguntas frequentes sobre clima e dificuldade
Qual o nível de dificuldade do trekking Monte Roraima?
Moderado a difícil — 3 em 4 na escala da Vara Mato. A exigência vem de dias consecutivos de caminhada, calor na savana e um trecho técnico de escaladinhas na subida ao platô.
Faz frio no topo do Roraima?
Sim, por contraste com o calor da savana. O platô, a cerca de 2.800 m, tem vento constante e névoa frequente, criando sensação térmica bem mais fria que a altitude sozinha indicaria.
Preciso de experiência técnica para subir?
Não é necessária técnica de escalada. Há um trecho de escaladinhas na subida ao platô, mas sem uso de cordas — exige equilíbrio e preparo físico, não experiência formal.
Qual a melhor época para evitar chuva?
A estação seca (dezembro a abril) é a mais estável — por isso as saídas de 10 dias acontecem em Réveillon, Carnaval e Páscoa.
Como funciona a segurança durante a expedição?
O grupo conta com rastreador satelital com SOS, rádios comunicadores e kit de primeiros socorros, com guia líder Vara Mato e equipe indígena de Paraitepui acompanhando todo o trajeto.





